Peço desculpas a todos pelo atraso em postar os textos. Espero que possa me redimir e que apreciem (se for para apreciar) o que vem por ai! Beijos a todos!
Cultura baiana: motivo de desaprovação? O baiano é culturalmente plural, cheio de misturas, ritmos e crenças. Possui uma infinidade de manifestações culturais singulares, com grande teor artístico e alta qualidade. O cinema, o teatro, seus atores e diretores, os artistas plásticos, suas obras... Por mês acontecem aproximadamente 200 apresentações culturais registradas pela Fundação Cultural do Estado, que vão do teatro à exposições fotográficas. Porém, se formos contabilizar o público que estas apresentações alcançam, vamos, certamente, encontrar um número muito limitado. Não encontraremos justificativa mais aceitável para este caso do que o fato de que o baiano não se interessa o suficiente pela arte baiana, pela cultura construída por nós. Sim, porque se formos analisar o número de público atingido por um filme norte-americano, com certeza acharemos uma quantidade significativa. Até mesmo de um filme nacional feito pelos Estados do Sul e Sudeste, são melhor aceitos pelo público baiano, que, muitas vezes, nem chega a saber da existência de uma tradição do cinema baiano, ou conhecer nomes como Glauber Rocha ou Edgard Navarro. Atores, cantores, diretores, bailarinos, no geral, os artistas baianos para serem reconhecidos pelo seu trabalho, precisam sair da Bahia, precisam aparecer nas telas do “Plim-plim”. Senão, nadam, nadam e morrem aqui na Bahia, como anônimos, eternamente. Muitas vezes, a qualidade dos artistas baianos é superior, mas o fato de serem baianos os transforma. Falando da Globo e de suas novelas e filmes, excluindo a atual ascensão de atores como Lázaro Ramos e Wagner Moura, antes o baiano ou era empregado, ou da família do empregado, ou o turista, mas era sempre dotado do estereótipo do “preguiçoso”. Lázaro e Wagner são ótimos exemplos de que para se fazer sucesso e ter o devido reconhecimento pelo seu trabalho, é preciso passar por um processo de “sudestização”, afinal de contas, eles perderam o sotaque, o simples reconhecimento da sua origem para enfrentar seus últimos personagens. Quem não é baiano, quando interpreta um personagem da Bahia, puxa um “meu rei” “lascado”, ou então, uma fala arrastada nos “tês” e nos “és”, que nem é típica do soteropolitano (que tenta, por tudo, ser “sudestizado”). Por isso mesmo que o baiano só consegue reconhecer o que vem de fora, porque vê o estereótipo. A sua arte só vale alguma coisa quando está lá, na tela da “tevê” e não “ao vivo e à cores”. Muitas pessoas “torcem a boca” para assistir a uma apresentação gratuita do cantor baiano Gerônimo, mas paga oitenta reais para show do cantor carioca Seu Jorge. É difícil pro baiano reconhecer o trabalho do próprio baiano, também, é importante ressaltar, por causa da mídia. Esta tem como função transformar o Brasil em Rio e São Paulo, e por isso, os baianos não querem ser baianos. A Bahia só tem axé e Carnaval, e por isso muita gente boa que tenta fazer algo diferente disso é tida como alternativa, por ser diferente do padrão. Citando um trecho da música de Rita Lee e Zélia Duncan: “nem toda a feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda!”, assim como nem só de Carnaval vive a Bahia!
A função da arte “Se a uva é feita do vinho, talvez a gente seja as palavras que contam o que a gente é.” Estou lendo um livro: O livro dos abraços, de Eduardo Galeano. O autor não é brasileiro e, portanto, não é baiano, mas para mim ele é atemporal, universal e contemporâneo a ponto de atingir o mundo inteiro. Galeano é uruguaio, mas já viajou por toda a América Latina, mundo de onde ele conseguiu extrair as suas crônicas-artigos-contos de caráter global (não este global midiático, ok? Aquele global do sentido cru da palavra.). Enfim, de todas as suas crônicas, é impossível numerar aquela que mais emocione ou com a qual você tenha maior identificação, mas uma das mais bonitas está aqui para que todos tenham acesso. Como a minha função nesta coluna é apresentar sobre a arte e cultura baiana, além de falar sobre o universo jornalístico, acho que consigo atingir a minha cátedra com a veiculação desta crônica. Afinal de contas, se eu conseguir trazer mais pessoas para o mundo da leitura e da pesquisa, então conseguirei tratar dos outros assuntos com a devida presteza: quem é crítico para ler de tudo, é crítico para formar de si uma pessoa menos personagem do mundo e mais dona de si mesma. Bem, aí vai:
A função da arte
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Me ajuda a olhar!
Feudo midiático 5 de outubro: lançamento da campanha por democratização dos meios de comunicação
Tudo bem, eu sei que o dia já passou, mas vale ressaltar a importância deste que, claro, foi um dia pouco relevante para quem só tem acesso à informação pela televisão, mas que não deve ser desconsiderado e eu vou explicar por que. Bem, no dia 5 de outubro venceu o prazo das concessões públicas de 28 emissoras de televisão e 153 de rádio, entre elas cinco emissoras da Rede Globo; a TV Record, Bandeirantes e SBT. A concessão pública é a permissão para que um meio de comunicação efetue a transferência da execução dos serviços públicos à iniciativa privada, indicando que é notadamente um dos instrumentos para a parceria público-privada. A promulgação da Lei de Concessões vem exigindo sistemático estudo sobre o assunto. A Coordenação dos Movimentos Sociais, que reúne as principais entidades populares e sindicais do país, decidiu aproveitar o simbolismo desta data para realizar manifestações em todo o país contra as ilegalidades existentes no processo de concessão e renovação das outorgas de televisão no Brasil. Apenas para contextualizá-los na situação jurídica em relação às concessões, na Constituição de 1988, a concessão pública de TV tem validade de 15 anos. Para que esta seja renovada, o governo precisa encaminhar pedido ao Senado, que pode aprová-lo apenas com 3/5 dos votos dos senadores. Apesar da legislação, o que vigora no Brasil é a lei do maior interesse. Os empresários reinam autônomos nessa decisão e os interesses privados imperam unanimemente. Além disso tudo, não há participação da sociedade, aliás, não há interesse em que esta sociedade participe, e essas concessões acontecem sem respeito a critérios públicos. Claro, se o que vigora é o interesse da indústria cultural, em que o indivíduo, apesar de racional, não pensa como quer, apesar de achar que é independente. Os processos são lentos, pouco transparentes e não existe qualquer fiscalização por parte do poder público, nem nunca existiu, para sermos mais precisos. O funcionamento dessas emissoras ocorre há mais de 20 anos com as concessões vencidas, o que prova ainda mais a ineficiência da lei e do conhecimento popular. Confesso que se não estivesse em contato direto com o ramo jornalístico, também não teria conhecimento à respeito.
Venho por meio desta comprovar que, para sermos realmente integrados ao conhecimento desvinculado de interesses políticos, é preciso que busquemos as entrelinhas, nos informar com o que se pode, além do que está tão acessível. Informação não está apenas no “Jornal Nacional” nem no “Jornal da Globo”, a informação é, fazendo um trocadilho cretino, Global, no sentido irrestrito da palavra. Vivemos quase um feudo midiático, sendo bastante extremista, quase um imperialismo dos meios de comunicação. Quem não percebe que quem dita as regras na política, economia e em todas as questões sociais, é a Rede Globo de Televisão? Ou você é daqueles que pensa que tudo o que é importante no mundo passa nas telinhas do “plim-plim”? Só para provocar, talvez nós estejamos mesmo merecendo o país que temos, pois já não há (ou jamais houve) compromisso ético-moral com a informação, talvez os brasileiros estejam conformados demais com o que têm e só querem mudar algumas coisas básicas, como, por exemplo, o final da novela “Paraíso Tropical”. Afinal de contas, o Brasil fica em crise quando o assassino da novela já se tornou um “ídolo nacional”. Entre a formação e a informação
Bem, pra começar a escrever como jornalista é preciso esclarecer alguns pontos iniciais. No primeiro semestre, somos aprendizes de “foca”, risonhos tentando equilibrar a bola no focinho. Geralmente, as disciplinas introdutórias se resumem a contar a trajetória do jornalismo ou, simplesmente, definir conceitos. O que aprendemos é muito superficial, mas já notamos algo de suma importância: a tal imparcialidade, aquela tão citada, divulgada e apregoada imparcialidade NÃO EXISTE!
Cinema baiano: a imagem que ninguém vê
Apesar de oferecer bons filmes e diretores, ainda enfrenta dificuldades
ELISA ARAÚJO Ela é estudante de jornalismo, cantora de samba e falará sobre o universo jornalísticos, cultura, música e arte baiana. |